quinta-feira, dezembro 26, 2002

MENINA, CONTRA O TÉDIO, TE RECEITO MEU DEDO MÉDIO
Pegando carona em uma frase do grande Tom Zé, lá vai uma singela lista de links para passar o tempo, enquanto aguardamos o final de 2002 – só mais cinco dias, moçada !

* O co-editor da revista [mão única ?] e comandante do Pólis, Fábio Fernandes, resolveu adiantar uma de suas resoluções de ano novo e criou o blog Pequeno Dicionário de Arquétipos de Massa, onde escreve seus mini-contos.

*Leitura que já se tornou indispensável e promete muito para 2003 é o blog do caro escritor Marcelino Freire. Lá, é possível comprar os livros do malaco, como Angu de Carne.

*Alguém aqui se lembra da revista Bizz, que depois virou ShowBizz ? Havia uma seção chamada Discoteca Básica, destacando discos importantes na história da música, tanto nacional quanto internacional. É com espírito semelhante que o blog Inverdade fala sobre alguns discos imprescindíveis na discoteca de quem gosta de música. Aproveite e leia os contos do mano Seqüela, também conhecido como Seu Zé.

*E quem está colocando o site no ar é a moçada do Protesto Suburbano, de Macaé. Ainda está bem tosco, mas eles já estão demarcando seu território no tal mundo livre da Internet.

*O ano está acabando, mas não conseguiu dar cabo do Vórtex Você. Após uma ligeira crise, a história do Apocalipse na planície prossegue, cada vez mais esquizofrênica e aditivada.

quarta-feira, dezembro 25, 2002

2002... finalmente ao fim!!!
Dentre as poucas coisas boas deste lazarento ano..., estou em débito com vocês...

Tirando o atraso
1980..., ano em que nasci..., ano que “conheci” Rush... Sim! Ainda recém nascido já escutava – obrigado – junto com minha mãe, o som do trio canadense... Fui crescendo e apreciando cada vez mais o som e as histórias que minha mãe contava...
Tudo soava como uma lenda, baquetas que voam, bateria que anda, tudo muito surreal...
- A voz dessa mulher é muito legal!
- HAHAHAHA... Essa voz, meu filho, é de um homem...!
A cada história que ela me contava, parecia que descrevia um de seus sonhos..., sempre regado de muita música deste trio.
2002, 23 de novembro, descobri que não existe a tal lenda... Sim, não é lenda, não era sonho, as baquetas voam, a bateria anda..., é um homem cantando...
Entre clássicos como Tom Sawer, YYZ, Closet ti the heart – essa minha mãe cantava pra eu dormir – e músicas do novo cd Vapor Trail – como Earthshine, Stars Look Down e One Little Victory – O Rush fez um grande show – três horas de muita música – para aproximadamente 54 mil pessoas..., 54 mil pessoas entoando em um só coro canções que fizeram parte da minha infância e provavelmente da infância de muitos outros que ali estavam... Sem falar nos “dinossauros”..., pessoas que podem ser consideradas fazedoras da história do rock...
Em todos os rostos – que estavam ao meu alcance – podia ser visto muita emoção e saudade a cada minuto que se passava da apresentação...
Vapor Trail, último cd do Rush, já está marcado pelo peso característico do início da carreira do trio..., sem as já famosas e marcantes participações dos teclados..., este álbum está bastante agressivo em se tratando de Rush... Um autêntico Power trio!!!

t+

terça-feira, dezembro 24, 2002

Cinema Arte?

Encontrei hj um artigo interessante sobre cinema. É o chamado Dogma 95.
É práticamente uma viagem de dois cineastas sobre o que é preciso fazer para que o filme seja arte.

O que é arte? O que é enlatado? Bruxa de Blair se enquadra onde? E Inteligência Artificial?

Qualquer texto sobre cinema que é escrito (inclusive este) fala sobre existir duas vertentes para o cinema, o cinema arte e o cinema diversão.
Não estou questionando o orçamento da produção, apenas quero levantar o seguinte assunto para discussão:
Será que quando um filme diversão é produzido, envolvendo centenas de técnicos, nenhum destes pode ser considerado um artista só porque o final de sua produção é a diversão?
Os filmes arte tem que ser realmente chatos, privilegiando apenas os chamados intelectuais?

segunda-feira, dezembro 23, 2002

SOBRE PERDAS E UM ANO QUE NÃO ACABA
Planejava escrever um post sobre o quanto está demorando para 2002 ir embora, sobre o quanto este tem sido um ano bem difícil, de perdas e que tais, para mim e mais algumas pessoas próximas que gosto e respeito. No entanto, estava adiando este post, tentando até fazer passar a vontade de escreve-lo – não sou lá muito chegado a ataques depressivos. Acordei decidido a buscar, na minha ronda em sites de notícia, alguma informação que dispersasse este sentimento – tanto fazia se fosse apenas momentaneamente ou em definitivo. Mas a primeira com a qual me deparei foi sobre a morte de Joe Strummer, líder do The Clash – as primeiras estavam aqui e aqui. Com cinqüenta anos, Joe Strummer estava se preparando para fazer um show com Bono Vox e Dave Stewart. Ele havia escrito uma canção com os dois e fazia planos, a curto prazo, para os primeiros meses de 2003, como articular a volta da banda.
E ainda faltam oito dias – parecem eternidade. Deu pra ti, 2002 !

domingo, dezembro 22, 2002

Numeração de CDs passa a ser obrigatória

A obrigatoriedade da numeração de CDs foi oficializada nesta sexta-feira (20/02/02), em decreto que regulamenta
o artigo 113 da lei do direito autoral (número 9.610, de 1998).Prevaleceu a numeração por lotes e não por exemplar...
os artista que defendiam esta proposta estão muito empolgados...dizendo ser uma grande vitória...agora, até que
ponto será uma vitória pro consumidor...será que agora que os "artistas" estão conseguindo melhores condições
de trabalho e manusear este trabalho...eles vão dar um desconto para os nossos bolsos???Ou continuarão com a sangria???

quinta-feira, dezembro 19, 2002

mas é claro que o povo sabe...
há quem pense o contrário, mas que tem muita gente “ligada” na dinâmica global, isso tem. o povo pode não possuir um vocabulário rebuscado e não fazer distinção entre teorias de ordem ou de estruturas e tampouco tem em mãos, meios para expressar opiniões. mas digo uma coisa: a galera é esperta sim, principalmente quando diz respeito ao que “dói no bolso”.
no ônibus que tomo sempre, ouvi uma conversa - acreditem, andar de ônibus (ou de trem) é uma ótima oportunidade para conhecer o ser humano, ou se preferirem, participar de conversas alheias sem convite – entre dois “cobradores”. acho que já disse aqui antes que não costumo ouvir conversas alheias e, além de ter o dom da “audição seletiva”, estava muito compenetrada em uma leitura – a saber, “A Máquina de Narciso, de Muniz Sodré -, portanto, não sei como esse debate teve início. reclamava um deles a respeito de atraso de pagamento na empresa de ônibus em que trabalhavam e da possibilidade de não receberem o 13º salário na data prevista. bom, até aí nenhuma novidade; tenho certeza que todos vocês ouvem coisas do tipo o tempo todo. porém, o que despertou minha atenção foram as indagações a respeito de “para onde vai toda a grana que a gente arrecada nas linhas todos os dias?”, usavam até matemática – que sabem muito bem, por sinal - para identificar o que chamavam de “covardia”[que nada tem a ver com “medroso”; mas sim, com “desleal”, “traiçoeiro”]: “apenas 150 passageiros por dia já são o suficiente para pagar o combustível, o que eles [os empresários] fazem com o resto do dinheiro dos outros tantos passageiros [não sei ao certo, mas os ônibus dessa empresa costumam andar muito lotados; com a periodicidade de 15 minutos], para dizerem que estão sem recursos para os nossos pagamentos?”. acho que acabaram percebendo minhas anteninhas de vinil em ação: “ei, menina, você não é filha de empresário não, é?” eu? sou tão crucificada quanto vocês, com um pouquinho mais de estudo, é claro – o que no final muda em nada minha posição. não quis interferir na conversa, pois estava tendo verdadeiras aulas de “como outros enriquecem com o seu trabalho só porque são eles, e não você, quem possui os meios para produzir”. e mais, também se dão conta das covardias que ocorrem com outros da classe: “uma prima minha que trabalha num restaurante, faz pratos cujos preços, em apenas um dia de serviço pagam o salário dela de um mês. e o patrão dela ainda atrasa as contas dizendo que está apertado!”... e por aí vão os exemplos ... concluem brilhantemente: “estão enriquecendo às nossas custas!”. mesmo sabendo disso, parece não restar outra alternativa, como comenta um deles: “mas fazer o quê? a gente precisa trabalhar!”. então, um deles decide que vai ser autônomo: “não dá mais para continuar nessa vida não, eu vou é ser o meu próprio patrão. olha só para ele lá [apontando para o motorista], tá vendo os cabelos brancos dele? o cara envelhece mais rápido do que o tempo pode permitir. mês que vem compro um caminhãozinho e vou ser meu próprio patrão”.
ora, meus caros, vocês estão mais do que certos. Isto que chamam de covardia é o que dá sustentação a esse sistema falido de gestão global que não dá conta nem de alimentar a população mundial – e volto a repetir: a gente não quer só comida -, enquanto fabricam cachorrinhos eletrônicos e torradeiras falantes. e fico feliz por saber que muitos estão conscientes disto. mas o que vocês – sem culpa nenhuma – talvez não saibam – ainda -, é da força que tens, uma vez unindo-se e indo contra a toda essa corja que só faz “enriquecer-se às nossas custas”.

quarta-feira, dezembro 18, 2002

Atenção headbangers, podrões, mocinhos(as) bonitos(as), skatistas e etc.

Neste sábado, vai ocorrer no ZanziBar(barzinho embaixo do campo do Americano) o Evento 2º Rock Festival com as bandas Viagra(trash/grindcore), Tribo Goytacá(pop rock nacional), O Esquilo Secreto(punk/grunge), Oryon(new metal/rap metal) e Fast Food(Hard Core de BH). O evento começa às 18horas da noite, custa R$ 4,00, tem boa estrutura de aparelhagem de som e promete deixar todos felizes, não importando seu estilo musical preferido.

segunda-feira, dezembro 16, 2002

OQUEÉOQUENÃOPODESERQUENÃOÉ. OU NÃO.
Veja aqui como os Tribalistas - argh ! - fazem as letras de suas músicas. Aproveite e cometa também a sua, passando a ser considerado intelectual, descolado e incompreendido por muitos. Eu já fiz minha parte. Manja:

Todo mundo no mundo
Faço siriema no saguão sonolento
Divino maluco
Ninguém é de todo mundo no mundo

Bis

Seja em Oiapoque, Londres
Vamos lá a lua não olha de rabo de olho, Vamos minha vida é um coração flechado
Lagarta lambedora licks you
Vamos lá a lua não olha de rabo de olho, vamos minha vida é um coração flechado
Amor de tio, desmundo!
Girou a Terra, a terra de minha mãe
Vamos lá a lua não olha de rabo de olho, Vamos minha vida é um coração flechado
Boneco babão, na bola

quinta-feira, dezembro 12, 2002

SUBVERSÃO
Meninas hackers subversivas de seis anos tomaram conta do Venoso !


CANALHA ! UM PUTA EXEMPLO !
Neste sábado, há um bom motivo para ficar em frente à TV ! Às 23h, a TVE irá exibir o filme “A extorsão”, com o grande Paulo César Pereio, o canalha-mor da televisão brasileira. Foi nesse filme que ele acabou usando ternos do Roberto Campos. Aliás, sugiro até a leitura desta entrevista que ele deu para a Caros Amigos, para convencer vocês do que estou falando. Pereio é o anti-herói, o anti-galã, o cara perfeito para encarnar qualquer situação descrita por Bukowski — isso só para colocar uma referência mínima, que pode até fazer muita gente torcer o nariz. Só algo do tipo para me fazer assistir televisão. O mundo não é uma maravilha ?

Nesta sexta-feira (dia 13/12/02) haverá o festival da canção no CEFET-campos a partir das 19:00h....
E no dia 22/12/02 (domingo), no Zanzi bar (eo lado, em baixo...,do campodo americano) terá show, às 15:00h...
Bandas: Viagra - campos-RJ
Tribo Goitacá - campos - RJ
Esquilo Secreto - campos - RJ
Oryon - campos - RJ
Fast-food - Belo Horizonte - MG
Não confirmaram o preço certo do ingresso..., mas disseram que provavelmente será R$ 4,00 reais...

quarta-feira, dezembro 11, 2002


É TUDO MUITO SIMPLES, SEJA RACIONAL
Enquanto escrevia um conto ouvindo o CD Afasia, do Dead Fish, me lembrei que já havia cometido uma literatice sobre as andanças que eu e o vocalista Rodrigo — figura da qual muito me orgulho em ter como amigo — fizemos pela terra dos goitacás. A andada nem tanto à deriva aconteceu no dia seguinte ao show da banda por aqui, em dezembro do ano passado — show esse que não temos lá muitas boas recordações, não é, Millhouse ? Mas essa já é uma outra história ... Relendo esse conto, me deu uma puta vontade de publicá-lo aqui. E se a foto aí de cima resolver aparecer, leitores e leitoras do Timpanus poderão conferir ainda que mutantes barbados do rock’n’roll também gargalham [prestem atenção nas minhas costeletas; Elvis perde !].

ALMAS DEFINITIVAMENTE NÃO CONGELAM

Domingo. Resoluções. Eu me concedi o direito de ter três desejos.
E começou enquanto caminhava com um amigo pelas ruas dessa cidade. Simplesmente caminhando, nem tanto à deriva quanto se estava a pensar a cerca de duas semanas. Havia destino certo, ida e volta, mas o que importava era o exercício, num ritmo ao avesso, olhar as entranhas de uma cidade estranha para os dois, num dia em que ela está, por bem, de guarda baixa. Andar, de passos calmos, como conspiradores em potencial, pelas ruas com pique de lembranças. A cidade vazia, numa tarde de domingo, e apenas dois marmanjos andando em direção à velha rodoviária, para comprar uma passagem — o amigo voltava para casa, depois de turnê; eu amargava vontade de correr por aí de novo, mas sentia necessidade de ficar. Um casal de gatos espia de soslaio, escondido mas não muito, atrás de umas plantas ralas. Farejando o ar. Quantas vezes eu teria tentado fazer o mesmo ? O papo esfria, o amigo está cansado, a briga é de todo dia para vencer. Sonhos que merecem ser muito mais do que medianos. Meu irmão em armas tem paciência para ouvir minhas histórias — sempre me preocupei em saber das dele. Existem poucos como ele, existem poucos como nós dois. A cada vez que nos vemos ou nos falamos, temos a nítida impressão de que não somos os mesmos — mas permanece a felicidade de filho único em achar um irmão. É daí que nascem os diálogos.
— Não sei quanto a você, meu chapa, mas ultimamente não sei mais o que dizer para as pessoas. O mundo está repleto de pessoas que querem sair pela tangente. Na primeira curva mais melindrosa, vagar ... — resmungo e coço o cavanhaque; velhas manias são difíceis de evitar.
— Pior é ter mundo e não existir, meu velho — contra-ataca sisudo e certeiro o amigo, um dos poucos que assim vale considerar.
— No meu caso, talvez seja tudo culpa do cansaço — rebato, pela primeira vez, atestando que estou exausto; a primeira das quedas.
Algumas destas — ora, estou me referindo a quedas, certo ? — podem ser silenciosas. Mas um tipo diferente de silêncio, diferente daquele que apenas irmãos em armas podem compreender. Se eu perdesse esta mania de tentar catalogar o que se passa — principalmente enquanto ando —, talvez não cunhasse o termo “cumplicidade da exaustão”. Mas era impossível criar outro; bastava ver a expressão de quem anda por qualquer rodoviária. Estamos todos exaustos pela espera, incluindo aí a demora em sermos atendido no guichê para comprar passagem. Mas, voltemos a teoria, enquanto conferimos o troco. Só quem está realmente cansado não pára de fazer este jogo, onde um sabe mais da vida do outro do que este supõe; então, não há a necessidade de verbalizar toda e qualquer idéia ou consideração. Vamos nos gabar, enquanto saímos deste entreposto de passagem e seguimos em direção ao Mercado Municipal, voltando para minha casa: somos exemplos vivos, lendas que caminham pela Terra. Afinal de contas, que outro tipo de ser anda a se aventurar pelas tardes de domingo e pode se orgulhar de estar vivo ? Isso chega a ser filosófico. Basta observar o mover dos peões no tabuleiro. “Tudo muito simples, seja racional” é a frase — que não lembro se foi ou não cantada no show do dia anterior — que me vem à cabeça no momento em que um carro passa por perto e pára um pouco mais a frente. Nunca gostei disso, mas agora não fico suficientemente preocupado. Somos inocentes. Deus protege os inocentes — em silêncio ? — ou eu estou ficando crédulo demais.
— Ei ! Ei ! Dead Fish !!! — dispara uma menina de óculos; um rosto que eu acreditava ter visto no show do dia anterior.
— Eu mesmo — responde o amigo, com a paciência de um monge beneditino e todo o cansaço do mundo; não sei bem qual é a diferença.
— U-huuuu ! — dispara a menina e cutuca a outra que está dirigindo.
O carro sai em disparada — a menina parecia uma foca de circo, daquelas que equilibram uma bola no nariz e recebe peixe como recompensa — e nós estancamos. Em algum lugar do mundo, nesse momento, taxas de juros sobem, a balança comercial se desequilibra, há um novo déficit em nossas contas e nós ainda nem almoçamos. Do outro lado da rua, a Câmara dos Vereadores, com seus girassóis moribundos. Haverá algum sentido nisso ? Eu entendo cada vez menos esse mundo. Isso me dá uma vontade de sentar no meio-fio — desculpe, mas me recuso a atestar que esteja na sarjeta — e gargalhar até não mais poder. Se eu contar isso aí, mundo afora, ninguém vai acreditar. O mundo é dos freaks. Um tanto também dos idiotas e outro tanto — uma porção bem maior — é dos filhos da puta. E eu fico rindo, voltando a atenção para os tais girassóis, que murcham — como sonhos velhos e “confiança” que alguns insistem em “depositar” ou “delegar” —, rindo do intervalo que temos enquanto tentamos nos desvencilhar da rota de colisão com este iceberg. Eu, lutando para não sucumbir num trabalho que me esfola e faz envelhecer em fast forward, enquanto você busca se manter com o que acredita que seja o melhor em sua vida — e, te juro, acredito piamente que você está certo. Estou ficando crédulo mesmo.
— Você acaba acompanhando procissão um dia desses — racha de rir o amigo.
— Vai depender do combustível — certifico.
E eu não estou incluindo sementes de girassol nessa possibilidade, que isso fique bem claro. Por isso, no meio do caminho, latas de cerveja na mão. Os dois. A minha vai secando rápido. Está quente demais por aqui, mas isso não me empolga nem me faz ganhar forças. Nunca fomos chegados a analogias com caldeiras, apesar de vivermos sob pressão — ah, os únicos culpados na face da Terra neste domingo; será que já não é tarde demais para pegar os dois para Cristo ? Ou para Barrabás ? Ah, ranços. Há um tempo atrás, ele não bebia. Bem-vindo ao clube; aqui, somos um bando de frustradinhos em maior ou menor escala, descontando em teores alcoólicos o que temos tentado colocar em prática em relação aos tais projetos de vida, seja lá o que isso queira significar agora ou daqui há uns três, quatro ou cinco anos. Um bando de humanozinhos capengas, mas há quem prefira dizer que é lenha na fogueira; mas a verdade é que não dá para agüentar sem aditivos. Método e prática. Goles largos a cada dez passos.
Não é impressionante o que se faz quando se vive por gestos mecânicos ?
Impressiona entender, não exatamente de uma hora para outra, como o tempo vai passando. Observar as engrenagens, o mecanismo, olhar no olho do tique-taque e ver seu reflexo — nós dois temos apreço por despertadores. Dormir é perder tempo e eu tenho achado que meu prazo de validade não compreende lá um período muito longo. Cabelos brancos — eu os tenho mais do que ele. Sou jovem demais para ser velho. Sou eu demais em tão pouco tempo. Me olho no espelho mais de cinco vezes ao dia. Uma obsessão nada relativa a Narciso. E o que isso significa ? Um tipo de mensagem que se deixa no ar ? Melhor cortar então: deixar de abstrair e retornar à caminhada à deriva, ao vagar por instinto, rodar pelas trilhas abertas buscando algum sentido. Justo o que estamos fazendo agora — enquanto o senhor e a senhora, bem acomodados, estão entretidos em dormir após a farta refeição. Que falta de expectativas — ou estaria justo aí a geração das danadas e nós ainda não nos tocamos disso ? —, mas se explica; estamos num domingo. Passamos novamente por um lugar onde eu já trabalhei — que fica no caminho para a cidade dele.
A chegada em casa é sinônimo de mais espera. Ficamos acuados à medida em que o tempo passa — eu já havia dito isso a ele em outra ocasião e me repetia agora, como um eco do passado. Animais acuados podem farejar medo, raiva e talvez, fungando mais forte e num compasso alternado, até comprovar que a idiotice dos humanozinhos que somos vai levar todos a um beco sem saída. Como se isso fosse alguma novidade. Mas isso é algo que outras pessoas só irão se dar conta quando for o próprio rabo que estiver encostado na parede e a mira estiver bem centrada na cabeça. É essa a imagem que vemos nos jornais dominicais: alvos em trânsito.
Enquanto nos preparamos para pegar o caminho para a rodoviária — num momento em que o dia vai morrendo, definhando, mal nutrido de expectativas —, alguém pode estar se preparando, para amanhã, para mais uma trepada ou para calçar coturnos ou assinar decretos ou condenar alguém que roubou para matar a fome em desespero ou dar tapinhas nas costas de colarinhos brancos ou deixar mais um sem coragem de contar para a família que foi descartado do emprego. Ou amanhã, alguém poderá atirar balas de borracha em manifestantes. Qualquer uma das alternativas, tanto nesse Estado quanto em outro país — as causas e efeitos são as mesmas. Deu pra sentir o impacto ? Há uma dor no peito, que em nada diminui enquanto andamos em direção à saída — saída ? Será que ainda restam alguns daqueles desejos ? Melhor vasculhar os bolsos, alguns livros, a parte de trás da porta da sala, a tampa da privada, o cesto de roupa suja, o porta-CDs e a gaveta do armário da cozinha novamente antes que o amigo pegue o ônibus de volta.
Depois, será somente um aceno de mão. O punho esquerdo levantado na altura do rosto e um punhado de idéias para sustentar e defender. Infinita tristeza. No entanto, se move.

segunda-feira, dezembro 09, 2002

NÃO ESTÁ MORTO QUEM PELEJA
Assim como ocorreu neste ano, paralelamente ao Fórum Social Mundial, em 2003, acontecerá mais uma edição das Jornadas Anarquistas. A segunda edição do evento libertário acontecerá nos dias 24 e 27 de janeiro, a partir das 18:30. O tema desta edição será "Nem fim da história, nem morte das utopias: o renascer da Resistência Popular na América Latina e as alternativas de luta no Brasil". Confiram a programação:

24/01
Abertura - FAG
Adesões
Teatro
Exposição (Federação Anarquista Uruguaia):
América Latina: quando os de baixo se movem, os de cima caem - o ano em que o povo deixou de acreditar nas promessas da globalização para acreditar em si mesmo

27/01
Exposição (Federação Anarquista Gaúcha):
10 anos de neoliberalismo: e agora, José? (A nova configuração conjuntural e as alternativas de luta dos oprimidos no Brasil. ALCA: o derradeiro golpe do imperialismo)
Encerramento: música popular de combate

Para maiores informações, basta clicar aqui ou mandar mail para esse endereço.
DO CONTRA SEMPRE
Eu fico pasmo com a eloquência desse figura. Tu já pensou em escrever coluna anti-social ?
Paduana e Getúlio

Este foi um fim de semana extremamente atípico para mim. Joguei tudo pro alto e fui para a praia. Até o relógio deixei em aqui em casa!
Em Grussaí fiquei na casa de um amigo meu, Leonardo (que se auto deomina "Léo Cachaça"). Lá, uma casa nada simples, encontrei o caseiro, seu Aristeu. Até ai nada de diferente, o cara é meio louco, disse Léo Cachaça.
Já de noite, depois de meia garrafa de Paduana, o cara me aborda, olha pra televisão (passando um comercial sobre a campnha da AIDS), e desata a falar:
- Tá vendo isso aí ó! Isso num existia não. É coisa de comunista.
Eu, um pouco atônito, respondi com a cabeça e continuei com minha Paduana.
- Na época de Getúlio num tinha esses troço não. É tudo coisa de comunista.
E Eu contineui respondendo com a cabeça, achando que ele estava falando da programação, sei lá...
- Quando eu estava lá na Academia Militar de Resende agente saía todo dia a noite pra pegá esse fio da puta. Dava muita porrada.
- Naquela época não tinha essas violênicias que tem hoje. Tudo começou com esses comunistas, depois que assassinaram Getúlio.
Eu já me interessando pela conversa perguntei: E como foi isso?
- Olha ... (3 min se passaram) ... na Academia tinha muito comandante ruim. Ma ruim mesmo, que mandava bate no soldado e tudo. Esses comandantes eram tudo pau mandado do Getúlio, e no dia que assassinaram ele eles mandaram agente tudo ir atrás cos comunista! (Bem enfático)
Eu tinha acordado bem cedinho nesse dia... num vô esquece nunca, é como se fosse hoje... Terça Feira, 24 de agosto de ... de ... 1953. Foi o dia do assassinato.
Eu tava lá, esperando (ele falou o nome certo mas não lembro) a corneta tocar a alvorada, e ela não tocou. Fui ver o que estava acontecendo e o qurtel todo tava parado. Aí eu fui lá pro comando. Quando cheguei lá só pude ajudar a carregar o corpo pra viatura.
Aí os comandantes que tavam tudo perdido mandaram agente sair pra pegá esses comunista fio da puta.

Com isto fiquei a refletir com a Paduana que me acompanhava. Lógico que muita coisa que esse cara conta pode ser mentira, mas será que existia um proximidade tão grande entre os ditadores e a corja de soldados desses quartéis espalhados pelas redondezas do Rio.
Como é que pode, um cara que pertenceu ao time de repressores da ditadura estar hoje assim, vivendo ainda os momentos antigos de sua vida. Será que não consegue perceber a diferença entre os terríveis dias que passaram e esse de hoje, que pode não ser o melhor, mas pelo menos estou escrevendo aqui e ninguém veio interferir (de forma violenta ou não).
Gostaria muito de entender também o seguinte: A mãe de um colega meu, conversando sobre a época do regime militar, ela disse que foi a melhor época de sua vida. Ela trabalhava e com o que recebia disse que conseguia pagar as contas, comprar algumas roupas e guardar um dinheiro. E disse que não tinha uma média de salário tão diferente do que tem hoje. Hoje ela é funcionária pública, na época, trabalhava em banco como caixa. Apesar deste pensamento, votou em Lula, discute teorias marxistas como alguém do ramo, é formada em Assistência Social.

O que quis com esse post é jogar para discussão alguns assunto sobre a época do regime militar que são, pelo menos para mim, um pouco obscuros.


T+

sábado, dezembro 07, 2002

um sonho, algumas lágrimas, muita fome, bastante indiferença...
é disso que úlceras, cânceres e rorschachs são feitos. dois pequeninos com seus quase nem 3 anos jogam cartas de papelão para matar o tempo numa ponte sobre um canal - o 2º maior artificial do mundo, olha só que honra! - fétido que não conduz a destino algum [mas pessoas somem por debaixo dele como se fossem ratos ou baratas]sinal vermelho: nenhum dos quatro - nem as pequenas crias e nem os grandes reprodutores - pode passar para a outra margem da sociedade. uma padaria, um sonho. [quem nunca chorou por um sonho?]

sim, porque sonho, só se for de padaria

lágrimas - de crocodilo?

sonhos não podem salvar o mundo ... [nem uma padaria inteira pode.]

nem uma família...
lixo salva algumas famílias numa manhã de sábado em que um sorriso doido disputa lixo com ratos e baratas... enquanto isso, automóveis importados perpassam ultrapassam todos os sinais rumo a outra margem da sociedade sem olhar pelo retrovisor... só param, quando num belo dia, numa luz vermelha, um metal prateado rasga sua cabeça e espalha seus miolos por toda a avenida e o sangue escorre até a entrada da padaria, naquela onde sonhos são vendidos...
e os outros carros continuam passando: não param, não olham, não escutam. próxima parada: ingreiscoursefuckeverybodytimeismoney.

quinta-feira, dezembro 05, 2002

MÚSICA DO DIA
Para começar tranquilamente este dia, nada melhor do que escutar Into My Arms, de Nick Cave and the Bad Seeds, do excelente disco The boatman's calls. Piano, baixo e a voz cavernosa desdenhando um Deus interventor, anjos e que tais, para falar - pasmem - de amor. Ainda irei comentar este CD faixa por faixa.

Into My Arms
I don't believe in an interventionist God
But I know, darling, that you do
But if I did I would kneel down and ask Him
Not to intervene when it came to you
Not to touch a hair on your head
To leave you as you are
And if He felt He had to direct you
Then direct you into my arms
Into my arms, O Lord
Into my arms, O Lord
Into my arms, O Lord
Into my arms
And I don't believe in the existence of angels
But looking at you I wonder if that's true
But if I did I would summon them together
And ask them to watch over you
To each burn a candle for you
To make bright and clear your path
And to walk, like Christ, in grace and love
And guide you into my arms
Into my arms, O Lord
Into my arms, O Lord
Into my arms, O Lord
Into my arms
And I believe in Love
And I know that you do too
And I believe in some kind of path
That we can walk down, me and you
So keep your candlew burning
And make her journey bright and pure
That she will keep returning
Always and evermore
Into my arms, O Lord
Into my arms, O Lord
Into my arms, O Lord
Into my arms

terça-feira, dezembro 03, 2002

CUIDADO ! ESTE É UM POST CARREGADO !
Como o Blogger estava efetuando reparos - ugh - no sistema de postagem desde manhã, não pude postar calmamente o material que havia escrito. Então, acabei escrevendo um tanto mais, que será descarregado, na íntegra e sem cortes, agora. Nada de muito apavorante; ainda não será dessa vez que baterei o recorde de Thiago, com aquela entrevista subversiva do Al Qaeda. Segura aí:

ÚNICA ENTIDADE QUE NINGUÉM CENSURA
Advertência: está correndo solta novamente pelo dito mundo livre da web. Alguns provedores “supostamente” estão impedindo o acesso ao excelente Cocadaboa, o que já é suficiente para estragar o dia de quem gosta de fazer uma navegação esperta sem problemas. Torço para que isso seja meramente uma piada dos malacos, porque tal impedimento somente reforça a estupidez que teima em acometer essa raça que — não duvidem ! —, um dia, ainda vai ficar batendo a cabeça na parede durante três dias e três noites consecutivas. Agora, o blog do Chico Barney também entrou na leva do impedimento, recebendo uma notificação extra-judicial do pessoal do Mensagem Subliminar, por ter abordado de forma jocosa, irônica e cômica, o conteúdo daquele site. Tremenda falta de humor, pra ficar na gentileza. Como se não fosse possível haver discordância em relação a mensagens satanistas em desenhos do UauDisnêi e referências demoníacas em rotação invertida de discos — assuntos do tipo que me fazem rachar o bico de rir. A moçada que acessa e gosta destes dois sites — como alguns timpaneiros —se solidariza com seus editores. E, a partir deste momento, vamos começar a bloquear o acesso dos funcionários dos tais provedores a este blog, assim como redigir mensagens ocultas nos posts, que somente serão reveladas ao ler as linhas ímpares dos textos, apenas com o olho esquerdo, plantando bananeira, enquanto se entoa o mantra “Paul is dead”.

ALIMENTO PRA CABEÇA [parte 1]
anarquia noam chomsky bernardo kucinski chico science h.r. giger nick cave laerte malatesta ezln george orwell ken loach raul seixas luiz fernando veríssimo lourenço mutarelli carlos reichenbach ricardo lísias tom waits fábio fernandes cláudio júlio tognolli wittgenstein magnus mills robert crumb carlos marighella dalton trevisan jorge furtado charles bukowski steven johnson ramones edyr augusto grant morrison lírio ferreira paulo caldas racionais mc’s marilene felinto proudhon sam raimi situacionistas glauco arthur dapieve alexandre inagaki cordel do fogo encantado latuff paulo leminski petter baiestorf motorhead cláudio galperin andréa del fuego alexandre samis indigo tom zé malcolm mcdowell glauber rocha hyeronimus bosch alan sieber ugo giorgetti critical art ensemble augusto dos anjos millôr fernandes carlos lamarca férrez marcelo mirisola roddy doyle bezerra da silva fábio lópez y lópez alexandre “jonny” patriarca luiz antonio mello robert johnson joca reiners terron centro de mídia independente mundo livre sa mrta josé oiticica angeli iggy pop josé arbex jr alan moore big bill broonzy margareth wertheim marçal aquino

ELES VIVEM !
A gênese da Associação de Proteção aos Millhouses Cabeludos (APROMIC). Em Vórtex Você. Onde mais seria ?

A VOLTA DA GRANDE QUESTÃO
Agora que Zarabatana aderiu ao Tímpano, há uma dúvida que merece novamente ser contemplada: Ébano, tu é Uni ou Diana ?
blogs e software livre

pequeno mas importante texto, postado na lista de discussão metáfora sobre como os blogs - sempre apontados como importantíssimos na disseminação livre da informação - são reféns de sistemas fechados ligados a corporações e que podem deixar todos a ver navios de uma hora para outra. a solução? software livre!

segunda-feira, dezembro 02, 2002

O primeiro de muitos

Aí galera valeu!

Vou despejar nesta iniciação um assunto que muito me atormenta.

Vocês já perceberam como está crescente esta tendência de envidraçar as salas. Pensa só, qual é a sala de informática que você já viu qua não dá pra ficar uma galera do lado de fora te observando como num aquário. E as empresas que envidraçam a recepção, fazendo da recepcionista uma peça de vitrine. Isto, lógico, sem contar nossos melhores restaurantes, na qual se você deixar algo cair do prato servirá de cômica atração para os que estão do lado de fora. Poderia chamar de ostentação, pois para mim toda e qualquer ostentação é burra. Mas pior do que isso é a mania crescente de câmeras de vigilância, Alexandro F. me disse um dia desses sobre a colocação ilícita de câmeras de vigilância no CEFET. Digo que são ilícitas porque não há aviso algum da existência delas. Fato que é proibido por lei. Não sei o que fazer, acho que daqui a pouco começarão a surgir brânquias em mim.

Valeu T+

domingo, dezembro 01, 2002

Teoria versus Prática
Ébano Machel

Teoria- Conjunto de conhecimentos não ingênuos que apresentam graus diversos de sistematização e credibilidade, e que se propõem explicar, elucidar, interpretar ou unificar um dado domínio de fenômenos ou de acontecimentos que se oferecem à atividade prática.

Prática- 2-uso, experiência, exercício; 5-aplicação da teoria

Eu estava lendo uns livros de filosofia e percebi que muitas vezes, parecia que os filósofos (principalmente os gregos) não estavam falando sobre nada que realmente existisse, trabalhando com conceitos muitas vezes criados por eles mesmos. Fiquei me perguntando qual era o sentido de se gastar tempo demais nesses tipos de atividade (criar entidades abstratas, utilizá-las numa seqüência lógica qualquer para se provar alguma coisa e ler esses textos tentando entender o significado de cada uma das expressões das frases).
Afinal, para que servem os conceitos? E os tipos ideais? Seriam eles formas de expressar a realidade no plano das idéias ou modelos prontos para que adequemos a realidade a eles? As próprias definições do Dicionário Aurélio permitem esse questionamento. A prática é, não só tudo que pode ser percebido através do nosso sentido, como também resultado da aplicação de uma teoria.
Uma teoria é exposta através do pensamento de uma pessoa e essa pessoa pretende não só tentar traduzir tudo que é percebido na realidade para a linguagem das idéias, como também, dar uma sugestão sobre quais valores morais (certo/errado, bom/ruim, bem/mal) serão dados para cada uma dessas coisas. Pode ser que isso explique por que não sabemos o real motivo de nossas atitudes diante de determinadas situações: vivemos segundo visões de mundo importadas dos principais teóricos.
A realidade em si perde sua importância diante disso, já que absorvemos dela aquilo que a teoria nos condicionou a absorver. Mesmo que duas pessoas escutem a mesma música, por exemplo, essa será ouvida de forma diferente se uma delas for música e a outra for leiga (daquelas que não sabem qual é o som do baixo). A realidade é a mesma, mas seus referenciais teóricos são diferentes.
Toda teoria é pretensiosa (os conhecimentos não são ingênuos, lembrem-se), no momento em que tenta determinar uma posição dos indivíduos frente aos fatos e quanto mais ela utiliza-se de conceitos abstratos, aqueles que não são vistos, mais ela se afasta da realidade. Por outro lado, não conseguimos abstrair a realidade como ela realmente é. Precisamos de teorias para enxergar. Precisamos escolher uma visão de mundo para nos guiar.
Será que devemos ser tão passivos assim? Por que não criar nossas próprias teorias, éticas e doutrinas para viver com mais sentido e consistência em cada uma de nossas ações? Será que, ao fazermos isso, iremos, necessariamente, voltar ao tempo da barbárie, onde tudo é permitido, direitos colidem e tudo se resolve no braço?